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Parques aquáticos          Ver imagens

 

Todos os anos orcas saltam para receber um punhado de peixes, golfinhos são montados por treinadores, como se fossem skis aquáticos. Os empregados dos parques aquáticos gostam de dizer à assistência que os animais não actuariam se não estivessem felizes e não gostassem do que fazem, pode-se mesmo ver os sorrisos nos focinhos dos golfinhos... 

As orcas são o maior animal mantido em cativeiro. Na natureza, as orcas permanecem com as suas mães toda a vida, em grupos familiares compostos pela mãe e seus filhos e filhas adultos e netos. Os golfinhos nadam em grupos familiares de 3 a 10 indivíduos mas podem formar "tribos" de centenas. Com este comportamento, apenas se pode imaginar o trauma causado a estes animais sociais quando arrancados às suas famílias e colocados em mundos artificiais como os parques aquáticos. 

A captura de um único animal já perturba todo o grupo: barcos são usados para empurrar todo o grupo para águas rasas, onde são rodeados por redes e içados para os barcos. Os golfinhos não desejados são atirados de volta à água, embora alguns morram devido ao choque, ou, mais lentamente, devido a pneumonias e outras doenças contraídas quando fora da água. Fêmeas grávidas geralmente abortam. Os sobreviventes ficam preocupados com os familiares capturados e tentam salvá-los. 

Na natureza, orcas e golfinhos podem nadar mais de 100 milhas náuticas num único dia, mas os cativos são frequentemente mantidos em tanques com apenas 10 x 10 x 2,5 metros. Podem passam mais de 30 minutos submersos, passando apenas 10-20% do seu tempo à superfície. Mas os tanques são tão rasos que os animais cativos passam mais de metade do tempo à superfície, o que pode ser um dos factores responsáveis pelo colapso da barbatana dorsal vista nas maioria das orcas em cativeiro. 

Os delfinídeos navegam por ecolocação, logo em tanques pequenos, a reverberação causada pelas paredes do tanque pode enlouquecer os animais. Jean-Michel Cousteau acredita que para golfinhos em cativeiro o mundo se torna um labirinto de reverberações sem significado. 

Os tanques são mantidos limpos com cloro, sulfato de cobre e outros químicos agressivos, que irritam os olhos dos animais e os forçam a nadar de olhos fechados ou a ficar cegos. O excesso de cloro pode causar danos na pele, que começa a escamar. 

Os animais recentemente capturados são obrigados a aprender truques, isolando e retirando comida aos que se recusam a faze-lo. Os parques chegam a reter 60% da comida antes de um espectáculo, para que os animais fiquem mais "atentos". Os que não correspondem ao esperado são isolados e ignorados, uma verdadeira tortura para animais tão sociais. Não espanta, portanto, que as orcas e golfinhos cativos estejam em permanente stress. Por vezes, de tal forma que se suicidam: Jacques Cousteau e o seu filho, Jean-Michel, juraram nunca capturar mamíferos marinhos novamente após testemunharem o suicídio de um golfinho cativo, que se atirou deliberadamente contra as paredes do seu tanque até à morte.

Se a vida de orcas e golfinhos cativos fosse tão feliz como nos querem fazer crer, os animais deveriam viver mais anos, pois não enfrentam predadores e poluição marinha. Mas o cativeiro é uma sentença de morte para eles.

Na natureza, golfinhos vivem 25-50 anos, orcas macho 50-60 e orcas fêmea 80-90 anos. Nos parques aquáticos raramente vivem mais de 10 anos, mais de metade dos golfinhos morre nos primeiros 2 anos de cativeiro e os restantes vivem em média 6 anos. Devido a esta elevada taxa de mortalidade e ao fracasso dos programas de reprodução em cativeiro, os parques marinhos continuam a capturar orcas e golfinhos no mar. Mas os animais cativos não são as únicas vítimas destes "circos aquáticos": treinadores são empurrados para o fundo numa tentativa de os afogar e Keltie Lee Byrne, outra treinadora, foi morta por 3 orcas do parque aquático Sea Land, após ter caído na água com elas.

Os parques aquáticos têm mostrado tanto interesse em conservar o habitat natural dos mamíferos marinhos como em educar as suas audiências. De facto, esta industria tem feito pressão para manter os cetáceos menores, como os golfinhos e as orcas, fora da jurisdição da Comissão Internacional de Caça à Baleia (sabendo que isso ajudaria à sua protecção na natureza) pois não se podem arriscar a não poder capturar mais animais no futuro. 

Cada vez mais pessoas reconhecem que golfinhos, orcas e outros cetáceos não devem estar em parques deste tipo. O Canadá já não permite a captura e exportação de belugas, no Brasil já é ilegal o uso de mamíferos marinhos em espectáculos, em Inglaterra, boicotes levaram ao encerramento de todos os parques aquáticos, Israel proibiu a importação de golfinhos para parques aquáticos e o mesmo começa a acontecer em muitos estados dos Estados Unidos.

Richard Donner, coprodutor do filme "Free Willy", já se juntou a um crescente número de pessoas que exigem o fim do comércio de mamíferos marinhos. Donner explica: retirar estes majestosos animais do seu habitat para uso comercial é totalmente obsceno (...) estas capturas horrendas têm que passar a ser algo do passado.

 

 

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